Programa

A constante presença dos meios de comunicação, nomeadamente audiovisuais, na sociedade contemporânea, obriga-nos a um contacto permanente com os mais diversos tipos de imagem. Através do cinema, da televisão, da internet, dos jogos vídeo ou do telemóvel recebemos um enorme fluxo de imagens que consumimos, muitas vezes, de forma indiscriminada. Esta visualidade complexa implica a necessidade de um novo tipo de literacia visual, que viabilize um olhar mais competente e informado da realidade que nos circunda. Na disciplina de história teoria da imagem procurar-se-á, a partir de um conjunto muito diversificado de estímulos visuais, promover uma reflexão alargada e interdisciplinar sobre o modo como são produzidas e difundidas as imagens na contemporaneidade.

Introdução

As imagens não têm um lugar fixo. São migrantes por excelência e representam a sua relação com o mundo através da inscrição da sua temporalidade. Perante o que é perene na imagem, como nos diz Didi-Huberman, «temos que reconhecer humildemente que ela nos vai provavelmente sobreviver, que somos perante ela o elemento frágil, o elemento de passagem e que ela é, perante nós, o elemento de futuro, o elemento de duração». (Didi-Huberman, 2000: 10)

Esta uma forma de conhecimento, nómada e sem território que as imagens instituem, evidencia a sua vocação para a montagem e para um modelo de historiografia que implica, a criação de constelações entre outras imagens, objectos, épocas e contextos dissemelhantes. Um sistema de constelações, que configura uma forma de orientação do homem para com as coisas e uma organização da sua memória em imagens, que se transforma num instrumento e num método. É, fundamentalmente, um sistema de leitura dos movimentos do tempo em configurações visuais e um atlas para sustentar a possibilidade de uma configuração visual do conhecimento.

Mais do que uma história e teoria da imagem interessa fazer uma antropologia das imagens, seguir o seu rasto e a sua vida, pública e privada, e descobrir esse sistema de constelações, apropriá-lo, usá-lo, desenhá-lo, para que seja elemento criador dentro do que é o nosso próprio arquivo pessoal que diariamente alimentamos e replicamos. As imagens vêem-se e lêem-se e devem permanecer o mais possível como problema. Devem servir para as questionarmos, para encontrarmos nelas tensões, coisas que não batem certo, contrariando a evidência que nelas se impõe. Devemos para com as imagens deduzir o que não está representado e que lhes é tangente, num método de investigação acumulativo, dedutivo e especulativo, que admite a comparação, oposição e conflito que as imagens criam entre si, seguindo as múltiplas relações que fazem com outras imagens e coisas, e por vezes e para tal se necessário forçando o seu incomum isolamento e desligamento. O programa que se preparou procura ver, ler e questionar algumas dessas imagens.

  1. O que é uma imagem?
  2. O pensamento em imagens
  3. As imagens técnicas
  4. Desdobramentos e arquétipos
  5. As imagens falsas
  6. As imagens em conflito
  7. Imagens literárias
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